Portuguese Orientalism: The Interplay of Power, Representation and Dialogue in the Nineteenth and Twentieth Centuries

Organização | Marta Pacheco Pinto e Catarina Apolinário de Almeida (TECOP, LOCUS)
Edição | Sussex Academic Press
Ano | 2021

Até há pouco tempo, a investigação sobre o orientalismo português centrou-se nas primeiras tradições de produção de conhecimento orientalista, essencialmente ligadas ao projeto missionário e à promoção de um orientalismo católico baseado no Sul da Ásia. Por outro lado, a reflexão sobre os séculos XIX e XX é escassa e tem-se baseado em estudos de caso individuais, não obstante o TECOP (Textos e Contextos do Orientalismo Português: Os Congressos Internacionais de Orientalistas, 1873-1973). Esta coletânea editada é o resultado de um fórum internacional organizado pelo Centro de Estudos Comparatistas da Universidade de Lisboa.

O objetivo editorial é contrariar a escassa atenção dada aos estudos orientalistas portugueses, que têm sido periferizados no âmbito da história comparada dos orientalismos ocidentais em geral e dos orientalismos nacionais em particular. Integrar Portugal num discurso europeu (colonial) mais vasto sobre o Oriente e discutir as respostas aos legados coloniais portugueses dá visibilidade à ação dos múltiplos actores e redes envolvidos na ligação moderna de Portugal ao Oriente. Os ensaios abrangem a antiga Índia portuguesa, Macau, Timor e o Japão, bem como as Filipinas, a África Oriental, o Egipto e mesmo Angola, como local de expansão da retórica orientalista portuguesa. Os capítulos revisitam o Orientalismo de Edward Said (1978), utilizando o seu quadro analítico. Promovem uma compreensão interdisciplinar do orientalismo português enquanto sistema epistemológico sustentado por uma elite (masculina) - intelectual, científica ou literária - que assumiu diferentes manifestações materiais sob a forma de políticas coloniais; expedições científicas; publicações na imprensa e na literatura; emissões radiofónicas; e a própria institucionalização do conhecimento orientalista. Esta é a primeira coletânea em língua inglesa que manifesta abertamente a intenção de analisar este contributo epistemológico.

 

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