O Si-mesmo como Sujeito Imperial. Literatura Colonial dos anos 1920: O Caso de Moçambique
Autor | João Manuel Neves
Edição | CEComp | Afrontamento
Ano | 2022 | Português
Sinopse
Com este ensaio propõe-se um percurso que se quer exaustivo da literatura colonial portuguesa dos anos 1920 relativa a Moçambique. Numa primeira parte, são facultados dados contextuais e definidos conceitos operatórios de análise indispensáveis para se empreender o estudo das narrativas coloniais e do seu tempo histórico.
São depois apresentados dados biográficos dos principais autores desse período, bem como as suas obras. A análise centra-se em seguida nos dois grandes vetores, geográfico e morfológico, de constituição e divisão dos sujeitos coloniais.
A percepção morfológica do outro baseada num referencial geográfico encontra-se diretamente ligada às representações do pensamento racial português, desenvolvidas em larga medida a partir da mitologia ariana e do darwinismo social. Os textos em estudo mostram como as noções de «luta de raças» e de seleção das comunidades mais aptas contribuem para a elaboração de uma «estratégia da crueldade» e para o desencadear de fluxos de morte de grande intensidade. O duplo processo de desterritorialização das populações pelas conquistas e da suareterritorialização com a transformação social do espaço pelo capitalismo colonial tem lugar num contexto político totalitário.
A instauração da ditadura racial e a generalização do terror geram a redução dos colonizados a uma condição de servidão económica e sexual. O desejo colonial permite também a emergência de formasde hibridismo social ou cultural e o questionamento da autoridade discursiva, imediatamente contrariados pelo desenvolvimento de uma política de domesticidade colonial.