O Grande Terramoto de Lisboa. Ficar Diferente

Organização | Helena Carvalhão Buescu, Gonçalo Cordeiro
Edição | Gradiva
Ano | 2005

No dia 1 de novembro de 2015 assinalam-se os 250 anos do Terramoto de Lisboa. Esta catástrofe marca um momento alto do inevitável cruzamento entre um fenómeno natural e um fenómeno cultural: as imediatas e vastas consequências em Portugal e na Europa e no mundo ocidental; as suas implicações discursivas e reflexivas (éticas, metafísicas, literárias, religiosas, científicas, sócio-políticas, geográficas); o peso histórico que carregou até à atualidade, enquanto fenómeno paradigmático de problemas como a imprevisibilidade; o contraste irónico entre a glória e a destruição, ou a catástrofe - são elementos que fazem do Terramoto de Lisboa um momento ímpar na reflexão sobre a Natureza e a Cultura, sobretudo na Europa.

Com que palavras de uma linguagem prudente podemos enunciar o excesso tornado visível no Terramoto de 1755? Com que linguagem articulada podemos dizer o que precisamente se desarticula, se transforma em inarticulado? Nas reacções portuguesas, europeias e brasileiras ao Terramoto de Lisboa, podemos ler, por um lado, o peso e o fascínio de uma dimensão cultural que elege a figuração da Cidade como o seu lugar de eleição e, por outro lado, a atração da dimensão natural e a evidência da sua irrupção, sublime até na sua capacidade destruidora. A diversidade de reacções que o Sismo gerou demonstra a singularidade do acontecimento, que se manifesta como algo que ultrapassa os modelos discursivos, culturais e simbólicos previamente conhecidos. A experiência do Terramoto desvela essa condição, tornando-a o pilar da sobrevivência. Atravessar a morte e construí-la como um facto para o presente e para o futuro, integrando a noção de rutura na consciência do devir humano: esta é a experiência que 1755 - como outros acontecimentos resultantes de catástrofes semelhantes - implica.

Os 28 contributos que aqui reunimos, resultantes de um questionamento comparativo de especialistas das mais prestigiadas universidades portuguesas, europeias, americanas e brasileiras, reflectem a forma como respondemos hoje a catástrofes que, mesmo 250 anos depois de terem ocorrido, não são sentidas como meros acontecimentos do passado.