Curso Livre | Literaturas Queer em Língua Portuguesa
1 a 29 de julho de 2025 - 14h às 17h (horário de Portugal)
Online Zoom | Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa

Organização: Helder Thiago Maia (CEComp/ULisboa), Mário César Lugarinho (USP) e Salomé Honório (ICS/ULisboa)
Inscrições: 01 a 16 de junho
Pagamento: 20 a 25 de junho
Valores: 30€ (público geral) e 15€ (estudantes FLUL)
Mais informações: quir.hub@gmail.com
Historicamente, os “sonhos de extermínio” que incidem tanto sobre sujeitos dissidentes de género e sexualidade, como sobre a sua representação artística e literária (Giorgi, 2005), incluíram práticas de patologização, encarceramento, apagamento, invisibilidade e censura. Ainda assim, a literatura com personagens dissidentes – sejam estas entendidas como queer, LGBTQIA+, ou homoafetivas – não só existe, como constitui hoje em dia um “sistema literário” equiparável ao de qualquer literatura nacional. Afinal, conforme as reflexões de Cândido (1961), podemos averiguar que este campo apresenta, particularmente em Portugal e no Brasil: (1) “um conjunto de produtores literários, mais ou menos conscientes do seu papel”, que tem se organizado através de editoras LGBTQIA+ ou queer; (2) “um conjunto de receptores”, incluindo os públicos que têm vindo a circular entre livrarias, eventos, e feiras literárias LGBTQIA+ ou queer; (3) “um conjunto de características internas (língua, temas, imagens)” comuns, incluindo o testemunho e discussão da violência LGBTQIA+-fóbica; e até mesmo (4) “uma continuidade ou tradição”, tanto patologizante como transgressiva, que tem sido amplamente discutida pela crítica académica. Ainda assim, este campo literário permanece excluído dos “sistemas literários” comummente ensinados nas universidades portuguesas, apesar da existência de financiamento para investigações individuais, geralmente centradas em autores canónicos (Curopos, Maia, 2023). Este curso pretende garantir o “direito à literatura” a sujeitos que foram histórica e sistematicamente patologizados, perseguidos, e estigmatizados pelo estado português (Cascais, 2024), contrariando um silêncio profundo e sistemático que perdura na universidade portuguesa (e certamente no âmbito do ensino literário). Afinal, como argumenta Cândido (1988), “uma sociedade justa pressupõe o respeito dos direitos humanos, e a fruição da arte e da literatura em todas as modalidades e em todos os níveis é um direito inalienável”.
Programa do Curso
01/07/2025 – Helder Thiago Maia (ULisboa) – “Donzelas-guerreiras: um problema de género nas literaturas de língua portuguesa”
03/07/2025 – Mário César Lugarinho (USP) – “Literatura de Sodoma”
08/07/2025 – Mark Sabine (UNottingham) – “Poesia de autoria masculina baixo o Estado Novo português”
10/07/2025 – Salomé Honório (ULisboa) – “Autopoéticas trans: opacidade, equivocidade e resistência à interpretação”
15/07/2025 – Cris Judar (USP) – “Escritas além do binarismo”
17/07/2025 – Amara Moira (MDS) – “Literatura e linguagem transviada”
22/07/2025 – Anna Klobucka (UMass Dartmouth) – “Poesia lesboafetiva em Portugal (1880-1930)”
24/07/2025 – Renata Pimentel (UFRPE) – “Representação e representatividade: uma incursão na literatura lésbica brasileira”
29/07/2025 – Doris Wieser (CLP/UCoimbra) – “A expressão de género da rainha Njinga de Angola: do testemunho de Cavazzi ao romance de José Eduardo Agualusa”
Inscrições: 1 a 16 de junho
Para se inscreverem, os interessados deverão preencher o formulário disponível aqui. Caso o curso receba o número mínimo de inscrições para se realizar, os interessados receberão, em resposta, uma referência para pagamento do valor correspondente, após o que estarão inscritos e poderão participar no curso livre. Não será possível anular a inscrição, nem serão devolvidos valores de inscrição por impossibilidade de comparência. Após a confirmação do pagamento, os interessados receberão, em resposta, o link Zoom para o curso.
Formulário de Inscrição:
Encerrado.
Pagamento: 20 a 25 de junho
30€ (público geral)
15€ (estudantes FLUL) .
Certificados:
Estudantes que cumprirem uma carga horária mínima de 75% receberão certificado.
